Her

23 fev

Muitas pessoas já devem ter vivido uma situação semelhante como a que eu irei descrever. Você está na fila do banco ou no ponto do ônibus e, de repente, ouve uma voz ao seu lado, que diz sobre o tempo, o transporte ou outro assunto que envolva o cotidiano de qualquer cidadão. Ao virar, para saber a origem da voz, você descobre que é o receptor de tal mensagem. Em questão de minutos, diversos assuntos são tratados, entre eles, a vida pessoal da dona da voz. Por que alguém falaria sobre a família, ou qualquer outro assunto pessoal, para um desconhecido? Simples, vivemos em uma sociedade onde há carência de ouvidos. Não de forma literal, é claro. As pessoas não ouvem, não compreendem e não se importam com os outros. Os motivos podem ser diversos: impaciência, falta de tempo ou, até mesmo, por puro egoísmo.
Dentre tantas críticas da sociedade atual, o filme Ela aborda esta escassez de ouvintes.
A obra apresenta um rapaz recém separado (Joaquin Phoenix) que se apaixona por um sistema operacional, Samantha (Scarlett Johansson). O tal sistema, uma versão do SIRI super desenvolvida, com o passar do tempo, ganha sua própria personalidade e, artificialmente, ou não, sentimentos.
Neste instante você pensa: “Que história besta. Jamais alguém se apaixonaria por um OS.” Será?
Quantas vezes você pediu para alguém prestar atenção no que dizia? Quantas vezes você quis desabafar com alguém? Quantas vezes você conversou com você mesma? Sim, carência de ouvidos.
Ao se deparar com alguém, seja pessoa ou um sistema, que te ouve, te entende, te ajuda e aconselha; que percebe pelo seu tom de voz que está preocupada, triste ou estressada; que se interessa pela sua vida; a atração, para não dizer paixão, é inevitável.
O medo da solidão, o isolamento social, como consequência do desenvolvimento tecnológico, e a carência estão presentes em nossa vida. O filme apresenta uma realidade não muito difícil, infelizmente, de acontecer.
O maior desafio que temos pela frente é voltar a termos relações físicas e reaprendermos, se é que alguma vez soubemos, a viver em grupo. A geração WhatsApp/Redes Sociais vive a dependência de estar sempre atualizado do que acontece, ao mesmo tempo que esquece de viver.
A visão trágica da sociedade que Ela proporciona é uma bela pauta para debate e, espero eu, uma situação que não iremos vivenciar.

Mariana Miranda

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